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ISSN: 2595-8402

DOI: https://doi.org/10.61411/rsc31879

REVISTA SOCIEDADE CIENTÍFICA, VOLUME 8, NÚMERO 1, ANO 2025

 

ARTIGO ORIGINAL

O Papel do Enfermeiro na Assistência e Educação em Saúde à Criança e ao Adolescente com Diabetes Mellitus Tipo 1 (DM1)

Lidiane Silva Maciel1; João Batista Sales Ferreira2; Danielle Machado de Oliveira 3

 

Como Citar:

MACIEL, Lidiane Silva; FERREIRA, João Batista Sales; DE OLIVEIRA, Danielle Machado. O Papel do Enfermeiro na Assistência e Educação em Saúde à Criança e ao Adolescente com Diabetes Mellitus Tipo 1 (DM1). Revista Sociedade Científica, vol. 8, n. 1, p. 2444-2464, 2025. https://doi.org/10.61411/rsc2025114718

 

DOI: 10.61411/rsc2025114718

 

Área do conhecimento:

Ciências da Saúde

Sub-área:

Enfermagem

 

Palavras-chave: : Enfermagem; Diabetes Mellitus Tipo 1; Educação em Saúde; Doença Crônica; Cuidado ao Paciente.

 

Publicado: 24 de novembro de 2025

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Resumo

Este trabalho teve como objetivo analisar teoricamente o papel do enfermeiro no enfrentamento ao Diabetes Mellitus Tipo 1 (DM1), destacando sua importância no controle da doença, na promoção da saúde e na Q.V. dos pacientes. Em uma revisão de literatura qualitativa e descritiva, foram analisados 23 artigos selecionados entre 348 inicialmente encontrados em bases como Google Acadêmico, SciELO, LILACS e BDENF. Os critérios de exclusão consideraram artigos de revisão sistemática e os que não apresentavam relação direta com o escopo do estudo. Os principais achados revelaram que a atuação da enfermagem é fundamental no acompanhamento do paciente com DM1, especialmente no campo da educação em saúde, orientação quanto ao uso de insulina, alimentação, atividade física e monitoramento da glicemia. O cuidado humano, contínuo e individualizado prestado pelo enfermeiro tem impacto direto na aceitação ao tratamento e na prevenção de complicações. Conclui-se que o profissional enfermeiro tem papel indispensável no cuidado integral ao paciente com DM1. Sua presença ativa nas unidades do sistema de saúde contribui para um sistema mais eficiente, acolhedor e centrado no paciente. O estudo também aponta para a necessidade de capacitação contínua dos profissionais, fortalecimento de políticas públicas e o incentivo à realização de novas pesquisas sobre estratégias de cuidado e enfrentamento da doença em diferentes contextos sociais.

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The Role of the Nurse in Healthcare and Education for Children and Adolescents with Type 1 Diabetes Mellitus (DM1)

Abstract

This study aimed to theoretically analyze the role of nurses in addressing Type 1 Diabetes Mellitus (T1DM), highlighting their importance in disease control, health promotion, and improving patients’ quality of life. Through a qualitative and descriptive literature review, 23 articles were analyzed from an initial selection of 348, retrieved from databases such as Google Scholar, SciELO, LILACS, and BDENF. Exclusion criteria included systematic review articles and those not directly related to the study’s scope.The main findings revealed that nursing plays a fundamental role in the care of patients with T1DM, particularly through health education, guidance on insulin use, nutrition, physical activity, and blood glucose monitoring. Humanized, continuous, and individualized care provided by nurses has a direct impact on treatment adherence and complication prevention. It is concluded that nurses play an essential role in the comprehensive care of patients with T1DM. Their active presence in health units contributes to a more efficient, welcoming, and patient-centered system. The study also highlights the need for ongoing professional training, the strengthening of public policies, and encouragement for further research on care strategies and coping mechanisms for the disease in various social contexts.

Keywords: ​​ Nursing; Type 1 Diabetes Mellitus; Health Education; Chronic Disease; Patient Care.

     

    • Introdução

O Diabetes Mellitus Tipo 1 (DM1), anteriormente classificado como Diabetes Mellitus Insulino-Dependente (IDDM), é uma condição crônica caracterizada pela deficiência na produção de insulina pelo pâncreas, exigindo a administração exógena do hormônio para manter o controle glicêmico. Essa doença ocorre, predominantemente, na infância e adolescência, sendo essencialmente de origem autoimune [2.]. O DM1 é conhecido por sua relação com o fenômeno da cetoacidose, uma condição potencialmente fatal, na qual a deficiência de insulina leva à degradação excessiva de lipídeos, resultando no acúmulo de corpos cetônicos no sangue, comprometendo diversos órgãos, incluindo os rins [2.].

Entre todas as doenças crônicas que afetam crianças, o DM1 se destaca por, corresponder a aproximadamente 2/3 de todos os casos de DM diagnosticados nessa faixa etária. A alta incidência e as complicações associadas ao DM1 reforçam a importância da atuação do profissional enfermeiro na prevenção, monitoramento e educação em saúde para a população acometida por essa condição [3.].

Os sinais e sintomas do DM1 podem surgir de maneira abrupta e se manifestam com poliúria, polidipsia, polifagia, noctúria, enurese, perda de peso, xerostomia, prurido, visão turva, fadiga e dores musculares [4.]. Ademais, o DM1 está associado a alterações metabólicas significativas, resultantes da hiperglicemia persistente, impactando o metabolismo de carboidratos, lipídeos e proteínas. Essas alterações podem levar ao desenvolvimento de complicações microvasculares, como retinopatia, nefropatia e neuropatia, e macrovasculares, incluindo doença coronariana e insuficiência arterial periférica [5.].

O DM1 também pode estar associado a outras doenças autoimunes, como doença tireoidiana, doença celíaca e doença de Addison. Essas condições compartilham determinantes genéticos comuns e apresentam autoanticorpos órgão-específicos, possibilita agravar o quadro clínico e exigir um acompanhamento multiprofissional [6.]. Outra complicação frequente é a nefropatia diabética, que afeta de 30% a 40% das pessoas com DM1 e é considerada a principal causa de insuficiência renal terminal no mundo, aumentando significativamente a morbimortalidade dos pacientes [7.].

A epidemiologia do DM1 varia entre diferentes regiões do mundo, apresentando uma distribuição racial desigual. Estudos revelam que a doença é menos comum entre negros e asiáticos, enquanto sua incidência é mais elevada entre populações do norte da Europa [1.].

No Brasil, ainda são escassos os estudos epidemiológicos que descrevem com precisão a realidade do Diabetes Mellitus tipo 1 DM1. Contudo, a pesquisa realizada por Da Silva et al. [12.] evidenciou que, entre 2019 e 2023, as regiões Nordeste e Sudeste concentraram 68,5% das internações por diabetes, somando 664.273 casos no período (Tabela 1). Esses dados reforçam o valor de compreender as diferenças regionais para subsidiar políticas públicas mais eficazes e demonstram a necessidade de um cuidado mais atento por parte da equipe de saúde. Nesse cenário, o papel do enfermeiro torna-se fundamental tanto na prevenção de complicações quanto no acompanhamento contínuo dos pacientes durante e após as internações.

 

Tabela 1: Número de internamento por Diabetes Mellitus dividido por região no Brasil entre 2019 a 2023

Região

2019

2020

2021

2022

2023

Total

Norte

13.956

12.369

13.768

15.401

15.222

70.716

Nordeste

43.912

38.988

41.992

44.001

42.792

211.685

Sudeste

48.786

46.644

46.310

49.947

51.494

243.181

Sul

20.336

17.952

17.411

18.490

18.786

92.975

Centro-Oeste

9.286

8.693

8.607

9.486

9.644

45.716

TOTAL

136.276

124.646

128.088

137.325

137.938

664.273

Fonte: adaptado de Da Silva et al. [12.]

 

O Ministério da Saúde (MS) tem um papel fundamental no combate ao DM1, garantindo o fornecimento gratuito de insulina na rede pública de saúde. Pacientes com DM1 podem retirar insulinas humanas NPH e regular nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), onde também recebem acompanhamento e monitoramento da doença. A Farmácia Popular complementa essa oferta, ampliando o acesso ao tratamento [8.].

No que tange aos direitos dos adolescentes e das crianças com DM1, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) garante à saúde por meio do Sistema Único de Saúde (SUS). O artigo 11 do ECA estabelece a responsabilidade do SUS na entrega da saúde infantojuvenil, enquanto o artigo 14 determina a implementação de programas de assistência médica e odontológica para prevenção de doenças. Dessa forma, observa-se a necessidade de políticas públicas e da atuação do profissional enfermeiro na educação e prevenção do DM1, promovendo o bem-estar dos jovens acometidos por essa condição crônica [9.].

 

    • Metodologia

Este estudo trata-se de uma revisão narrativa da literatura, cujo objetivo é analisar e compilar informações sobre os cuidados do profissional enfermeiro a crianças com Diabetes Mellitus Tipo 1 (DM1). A revisão narrativa permite uma abordagem ampla do tema, possibilitando a construção de um panorama geral a partir de diferentes fontes científicas.

Foram separados artigos científicos publicados entre 2007 e 2025, garantindo a inclusão de materiais atualizados e relevantes para o tema. As buscas foram realizadas em bases de arquivos reconhecidas, como SciELO, Google Acadêmico e revistas científicas especializadas, priorizando estudos em português e inglês.

Foram adotados os seguintes critérios de inclusão:

  • Artigos que abordam o DM1 em crianças e adolescentes e os cuidados do profissional enfermeiro;

  • Estudos que tratam de sinais, sintomas, complicações e assistência à saúde;

  • Publicações em periódicos científicos revisados por pares.

Já os critérios de exclusão compreenderam:

  • Artigos de revisão sistemática ou meta-análises, com o propósito de evitar redundância na análise dos dados;

  • Trabalhos que não apresentassem relação direta com o escopo do estudo.

 

A análise dos artigos foi realizada mediante a leitura exploratória, seletiva e analítica, permitindo a identificação dos principais achados científicos sobre o papel do profissional enfermeiro no cuidado a crianças com DM1. Os dados foram organizados de forma temática, abrangendo aspectos como conceito da doença, sinais e sintomas, comorbidades, epidemiologia, políticas públicas e direitos garantidos pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

Durante a construção deste trabalho, foram realizadas buscas sistemáticas em diferentes bases de dados científicas, com o objetivo de selecionar estudos relevantes e atualizados que abordassem o papel do enfermeiro no combate ao DM1. As bases consultadas foram Google Acadêmico, SciELO, LILACS e BDENF. A busca resultou inicialmente em 348 artigos, distribuídos da seguinte forma: 73 no Google Acadêmico, 125 na SciELO, 108 na LILACS e 42 na BDENF conforme a Figura 1.

 

Figura 1: Mapa mental organização de artigos

Fonte: Autoria própria (2025).

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Após a leitura dos títulos, resumos e aplicação dos critérios de exclusão, foram eliminados 109 artigos, com foco a evitar redundância na análise dos dados, e 216 artigos que não apresentavam relação direta com o escopo do estudo. Ao final do processo de triagem, 23 artigos foram considerados adequados para compor o corpo teórico da presente pesquisa, por abordarem de forma pertinente e clara o cuidado de enfermagem frente ao DM1, os dilemas enfrentados no cotidiano da profissão e o valor da atuação do enfermeiro na prevenção e manejo da doença.

A Tabela 2​​ a seguir apresenta a organização dos artigos selecionados, incluindo o título, nome do autor, ano e a contribuição de cada citação para o desenvolvimento do estudo.

 

Tabela 2: Artigos selecionados e sua contribuição

Título do Artigo

Nome do Autor e Ano

Contribuição para o Estudo

1

Diabetes mellitus tipo 1 e tipo 2

LUCENA, Joana Bezerra da Silva (2007) [1.]

Explicou a definição, causas autoimunes e diferenciação entre DM1 e DM2.

2

Prevalência de outras doenças autoimunes em crianças e adolescentes com diabetes mellitus tipo 1

RIBAS et al. (2023) [10.]

Indicou a associação do DM1 com outras doenças autoimunes.

3

Aspectos Epidemiológicos do Diabetes Mellitus no Brasil entre 2019 a 2023

Da Silva et al. (2024) [12.]

Apontou a epidemiologia da Diabetes Melitus no Brasil

4

Características de crianças e adolescentes portadores de Diabetes Mellitus tipo 1 ao diagnóstico

MARUICHI, Marcelo Damaso et al. (2012) [11.]

Descreveu os sinais e sintomas iniciais do DM1 em crianças e adolescentes.

5

Definição, classificação, diagnóstico e tratamento de DM1

DE CASTRO COSTA, Alanna Maria et al., s/d [13.]

Explicou os métodos diagnósticos utilizados para DM1 e a limitação do uso da hemoglobina glicada em crianças.

6

Fatores socioeconômicos, demográficos, nutricionais e de atividade física no controle glicêmico de adolescentes portadores de diabetes melito tipo 1

MARQUES, Rosana de Morais Borges et al. (2011) [14.]

Abordou o tratamento multidisciplinar com dieta, atividade física e insulinoterapia.

7

Diabetes Mellitus Tipo 1 em Crianças e Adolescentes: Desafios Clínicos, Psicossociais e Estratégias de Manejo

ALVES DE ANDRADE et al. (2024) [21.]

Destacou desafios emocionais no controle glicêmico em jovens, como medo de agulhas e desejo por doces.

8

Complicações crônicas do diabetes

TSCHIEDEL, Balduino et al. (2014) [31.

Apontou a nefropatia como uma complicação crônica comum no DM1.

9

Fatores de risco para retinopatia diabética

ESTEVES et al. (2008) [15.]

Mostrou a alta incidência de retinopatia após 15 anos de DM1.

10

Neuropatia auditiva no diabetes melito tipo 1: relato de caso

BRAITE, Nadja et al. (2014) [16.]

Relacionou o DM1 a neuropatias auditivas e periféricas.

11

Cetoacidose diabética em crianças: perfil de tratamento em hospital universitário

CASTRO, Lelma; MORCILLO, André Moreno; GUERRA-JÚNIOR, Gil (2008) [17.]

Apontou a cetoacidose como principal causa de internação e morte em crianças com DM1.

12

Qualidade de vida relacionada à saúde de adolescentes com dm1-revisão integrativa

CRUZ, Déa Silvia Moura da et al. (2018) [18.]

Relacionou complicações do DM1 com qualidade de vida e saúde emocional de adolescentes.

13

Diabetes tipo 1 e comorbidades autoimunes associadas: implicações para os pacientes Pediátricos

DE ANDRADE, Rogéria Gabriela Campos et al. (2023) [19.]

Forneceu dados de incidência e prevalência global de DM1.

14

Aspectos epidemiológicos de pacientes com diabetes mellitus em uma unidade básica de saúde na cidade de Chapecó-SC

SMANIOTTO, Mariana et al. (2015) [22.]

Destacou a atuação da UBS no fornecimento de insulina como parte essencial do tratamento da DM1.

15

Políticas Públicas de Saúde para atendimento de crianças com Diabetes Mellitus Tipo I

DOS REIS, Simone Chagas de Jesus et al. [20.]

Apontou o papel do enfermeiro como educador em saúde e o acompanhamento de crianças e adolescentes com DM1.

16

A importância do suporte multiprofissional e familiar em crianças portadoras de

Diabetes Mellitus tipo 1: uma revisão integrativa

MILANI et al. (2022) [23.]

Contribuiu ao evidenciar a importância do sistema de saúde e da equipe multidisciplinar no controle do DM1.

17

Diretrizes para o cuidado das pessoas com doenças crônicas nas redes de atenção à Saúde e nas linhas de cuidado prioritárias

Ministério da Saúde (2013) [24.]

Reforçou a importância do trabalho em equipe e da atuação do enfermeiro no cuidado a doenças crônicas como o DM1.

18

Estratégias para o cuidado da pessoa com doença crônica: diabetes mellitus

Ministério da Saúde (2013) [25.]

Apresentou as diretrizes sobre o tratamento intensivo com insulina e a rotina de monitoramento da glicemia.

19

O papel do enfermeiro na assistência da Diabetes mellitus I na fase infanto-juvenil

PEREIRA, Laresca Caroline; DE FÁTIMA PEREIRA, Edineia (2022) [26.]

Mostrou o papel humanizado do enfermeiro no acolhimento e apoio emocional, bem como os desafios enfrentados na prática.

20

DIABETES MELLITUS TIPO 1: diagnóstico, práticas de cuidado e o impacto das desigualdades sociais no acesso ao tratamento da doença

MARANES, Francielen; BRANDÃO, Viviane Bernadeth Gandra (2024) [27.]

Explicou as barreiras socioeconômicas no acesso a tratamento, educação em saúde e insumos para o DM1.

21

Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) – Lei 8.069

BRASIL (1990) [28.]

Fundamentou os direitos legais da criança e do adolescente, como o direito à saúde, educação e proteção social.

22

Lei nº 11.347 – Dispõe sobre o fornecimento gratuito de medicamentos para pessoas com diabetes

BRASIL (2006) [29.]

Respaldou o direito legal ao acesso gratuito de medicamentos e materiais pelo SUS.

23

Diabetes: O cotidiano de um DM1 na vida escolar

ALVES, Verônyca Silva (2023) [30.]

 

Destacou o papel da escola e da família no processo de inclusão escolar e segurança de crianças com DM1.

 

Fonte: Autoria própria (2025).

 

    • Desenvolvimento e discussão

O Diabetes Mellitus Tipo 1 (DM1) apresenta-se como uma condição autoimune de início predominante na infância e adolescência, caracterizada pela destruição das células β das Ilhotas de Langerhans, responsáveis pela produção de insulina [1.]. A destruição autoimune progressiva das células beta-pancreáticas não apenas compromete a entrada de glicose nas células, levando à hiperglicemia, como também pode afetar outros órgãos, aumentando a prevalência de doenças autoimunes em pacientes com DM1, entre as mais comuns destacam-se a tireoidite de Hashimoto e a doença de Graves, classificadas como doença tireoidiana autoimune (DTAI), além da doença celíaca, gastrite autoimune/anemia perniciosa, vitiligo e doença de Addison, o que reforça a necessidade de acompanhamento clínico multidisciplinar [10.].

O papel do enfermeiro se destaca desde a identificação precoce dos sinais clínicos até o suporte contínuo ao paciente e sua família. No ambiente pediátrico, sintomas como poliúria, polidipsia, perda de peso e até hiperfagia configuram o quadro clínico inicial, exigindo do enfermeiro atenção redobrada e preparo para orientar responsáveis e pais, contribuindo para o diagnóstico precoce e o início imediato do tratamento [11.].

Em relação aos exames diagnósticos, destacam-se a glicemia em jejum, o teste oral de tolerância à glicose e a hemoglobina glicada. No entanto, em crianças e adolescentes, a hemoglobina glicada apresenta limitações, sendo necessária a interpretação cautelosa por parte dos profissionais. Nessa perspectiva, o enfermeiro precisa dominar os protocolos de diagnóstico e estar apto a interpretar os resultados em conjunto com a equipe médica, atuando como elo de comunicação entre o paciente, seus responsáveis e os demais profissionais [13.].

O tratamento do DM1 envolve três pilares: insulinoterapia, plano alimentar adequado e prática de atividade física [14.]. No cuidado ao paciente com DM1, o papel do enfermeiro vai além da administração da insulina, incluindo a orientação sobre seu uso adequado, a conservação do medicamento e o valor da regularidade no tratamento, bem como o incentivo à adoção de hábitos saudáveis e ao acompanhamento nutricional. Entretanto, mesmo com os avanços que ampliaram a qualidade e a longevidade de vida dos indivíduos com DM1, o manejo diário da doença continua sendo um desafio que envolve aspectos psicológicos, sociais e educacionais, fatores que impactam diretamente na adesão terapêutica e no bem-estar dos pacientes. Diante disso, a atuação do enfermeiro deve ser permanente, acolhedora e voltada para estratégias de educação em saúde e apoio psicossocial, contribuindo para o fortalecimento do autocuidado [21.].

As complicações do DM1, tanto agudas quanto crônicas, demandam atenção constante. A cetoacidose diabética (CAD) e a hipoglicemia são emergências comuns e frequentemente responsáveis por hospitalizações em crianças [17.], exigindo do enfermeiro competência para o reconhecimento precoce, intervenção imediata e orientação para prevenção.

Entre as complicações microvasculares decorrentes do diabetes mellitus tipo 1, a retinopatia diabética se destaca por ser uma das mais graves, representando a principal causa de cegueira em adultos de 25 a 74 anos em países desenvolvidos. Estudos indicam que aproximadamente 95% dos pacientes com DM1 podem apresentar algum grau dessa condição ao longo da vida, o que justifica o risco significativamente maior de perda visual quando comparado à população geral. Nesse cenário, a atuação do enfermeiro é essencial no acompanhamento contínuo, incentivando consultas oftalmológicas regulares, promovendo educação em saúde e fortalecendo o engajamento do paciente no tratamento [15.]. As neuropatias e nefropatias também reforçam a importância do acompanhamento contínuo e de qualidade e que a prática do enfermeiro é essencial no monitoramento regular, realização de exames periódicos e promoção de cuidados preventivos, fortalecendo a autonomia do paciente [31.,16.]

O impacto do DM1 vai além dos aspectos fisiológicos, adolescentes diagnosticados demonstram queda significativa na Qualidade de Vida (QV), com efeitos emocionais intensos como ansiedade, depressão e transtornos alimentares. O controle inadequado da glicemia e o aumento do IMC estão diretamente relacionados a essa baixa qualidade de vida. Diante desse cenário, o enfermeiro deve atuar de maneira humanizada, compreendendo o contexto psicossocial do paciente e promovendo um cuidado que vai além da técnica, envolvendo escuta ativa, acolhimento e articulação com outros profissionais da saúde mental [18.].

Epidemiologicamente, o DM1 representa uma preocupação crescente, uma análise global indicou uma incidência de 15 casos por 100.000 pessoas, com prevalência de 9,5%. Esses dados reforçam a urgência de estratégias eficazes de enfrentamento, nas quais a enfermagem tem papel fundamental. O enfermeiro é peça-chave na implementação de programas de educação em saúde, na vigilância epidemiológica e na articulação de redes de apoio e políticas públicas que priorizem a saúde da criança e do adolescente com DM1 [19.].

No contexto do Sistema Único de Saúde (SUS), a atenção primária desempenha um papel fundamental na detecção, acompanhamento e controle do (DM1), especialmente em crianças e adolescentes. As Unidades Básicas de Saúde (UBS) são o principal ponto de acesso da população aos cuidados contínuos, e nelas o enfermeiro exerce funções cruciais tanto na assistência direta quanto na educação em saúde. Após a avaliação clínica do paciente, as UBS oferecem medicamentos essenciais para o cuidado do DM1, como a insulina, sendo esta disponibilizada gratuitamente, conforme preconiza a política pública de assistência farmacêutica [22.].

Em especial na Atenção à Saúde da Criança e do Adolescente, o enfermeiro assume o papel de educador em saúde, promovendo ações preventivas, reconhecimento precoce dos sinais de hipo e hiperglicemia e acompanhamento contínuo do desenvolvimento infantojuvenil. Essas práticas são de vasta necessidade para garantir a aceitação ao tratamento e proporcionar qualidade de vida às crianças com DM1 [20.].

Além disso, a atuação do profissional enfermeiro se estende ao acompanhamento ambulatorial, que sucede a estabilização metabólica do paciente. Esse acompanhamento busca manter a normoglicemia, prevenir complicações crônicas, oferecer suporte psicossocial e promover o crescimento saudável da criança. Nesse contexto, o trabalho conjunto de enfermeiros, médicos, nutricionistas, psicólogos e demais profissionais da saúde torna-se essencial para oferecer orientação adequada, apoio emocional e acompanhamento contínuo. A presença ativa dessa equipe multiprofissional, aliada a um relacionamento próximo com a família, contribui de forma significativa para a adesão ao tratamento, melhora nos resultados clínicos e maior bem-estar da criança [23.].

As políticas públicas brasileiras, voltadas ao cuidado do DM1 reforçam a importância da atuação da equipe multidisciplinar, com destaque para o enfermeiro como figura central no cuidado contínuo. As Diretrizes do Ministério da Saúde (MS) para o manejo de doenças crônicas estabelecem que a equipe de saúde deve reunir-se periodicamente para discutir os casos atendidos, propor intervenções e elaborar planos de cuidado que respeitem as particularidades dos pacientes [24.].

No tratamento do DM1, é obrigatória a administração de insulina de forma intensiva, com doses diárias ajustadas conforme os níveis de glicemia capilar. A correta execução desse protocolo clínico depende do apoio da equipe de enfermagem, responsável por orientar a família quanto ao esquema terapêutico, aplicar ou supervisionar a aplicação da insulina e monitorar a adesão ao plano alimentar e às práticas de autocuidado [25.].

A inclusão do enfermeiro nas linhas de cuidado é também estratégica na fase pós-diagnóstico, momento em que os pacientes e suas famílias costumam enfrentar maior fragilidade emocional. Cabe a esse profissional, identificar as necessidades imediatas, traçar estratégias de acolhimento e validar os sentimentos enfrentados pelos cuidadores e pela criança, colaborando assim para a criação de um vínculo terapêutico e fortalecimento da autonomia familiar no processo de cuidado [26.]

Apesar dos avanços nas políticas públicas de saúde, diversos desafios ainda permeiam o cuidado ao paciente com DM1 no âmbito do SUS. A sobrecarga de trabalho enfrentada pelos profissionais de saúde, associada à escassez de recursos e de capacitações específicas, impacta diretamente na qualidade da assistência prestada, sobretudo nas UBS. Muitas vezes, o enfermeiro precisa dividir sua atenção entre múltiplas demandas, o que pode comprometer o acompanhamento adequado dos casos de diabetes infantil [26.].

Outro fator limitante é a desigualdade no acesso a insumos e informações, enquanto famílias de maior renda e escolaridade têm melhores condições de compreender e gerenciar o tratamento, populações mais vulneráveis enfrentam barreiras socioeconômicas que dificultam o controle glicêmico, além de vivenciarem limitações no acesso aos programas de educação em saúde. Mesmo com a disponibilização de insumos como insulina e glicosímetros pelo SUS, há diferenças regionais na oferta e na qualidade dos serviços prestados. Essas limitações reforçam a necessidade de ações políticas contínuas voltadas à equidade no cuidado, com investimento em capacitação dos profissionais de enfermagem, ampliação da estrutura das unidades de saúde e fortalecimento dos programas de educação para o autocuidado [27.].

O amparo legal à criança e ao adolescente com DM1 está previsto em diferentes dispositivos normativos brasileiros, com destaque para o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e legislações complementares específicas à saúde. Esses direitos garantem não apenas o acesso ao tratamento, mas também condições dignas de existência e inclusão social. O ECA assegura, em seu Art. 7º, que a criança e o adolescente têm direito à proteção à vida e à saúde, por meio de políticas sociais públicas que promovam um desenvolvimento sadio e harmonioso. Já o Art. 4º reforça que é dever da família, da sociedade e do Estado garantir com absoluta prioridade a efetivação dos direitos fundamentais, entre eles, o direito à saúde, alimentação, educação e dignidade [28.].

No que se refere ao acesso ao tratamento, a Lei nº 11.347/2006 estabelece que é dever do (SUS) fornecer gratuitamente todos os medicamentos e insumos necessários ao controle do DM, como insulina, seringas e glicosímetros, assegurando o cuidado contínuo às pessoas com a condição [29.].

Outro ponto importante é o direito à inclusão escolar e ao acompanhamento pedagógico especializado. O ambiente escolar deve garantir segurança, acolhimento e adaptação às necessidades específicas da criança com DM1. A presença de uma equipe pedagógica capacitada, aliada ao diálogo com os responsáveis, contribui para o bem-estar e desenvolvimento cognitivo e emocional do estudante. A informação reduzida nas escolas sobre o manejo do DM1, pode gerar insegurança tanto para os profissionais da educação quanto para os familiares, o que evidencia a importância da articulação entre saúde e educação [30.].

 

    • Considerações finais

A presente pesquisa teve como objetivo analisar, uma revisão teórica, a influência da atuação da do profissional enfermeiro no combate ao (DM1), evidenciando as práticas, desafios e estratégias que envolvem o cuidado ao paciente diabético. A partir da seleção e análise criteriosa de 23 artigos científicos, foi possível identificar que a enfermagem exerce um papel de muita importancia e multifacetado na prevenção de complicações, no controle da doença e no aumento da qualidade de vida de pessoas com DM1.

Os principais achados da literatura evidenciaram a necessidade da educação em saúde, do acompanhamento contínuo e da criação de vínculos humanizados entre profissionais e pacientes. A atuação do profissional enfermeiro se destaca por ir além da execução técnica, integrando acolhimento, escuta ativa e orientação individualizada, o que ajuda a adesão ao tratamento e melhora significativamente para o empoderamento do paciente no autocuidado.

Ficou evidente que a prática de enfermagem, quando realizada de forma ativa, contínua e centrada nas necessidades do paciente, tem impacto direto na melhoria dos indicadores clínicos e no bem-estar físico e emocional dos pacientes com DM1. O enfermeiro, portanto, deve estar capacitado para atuar tanto no âmbito hospitalar quanto na atenção básica, promovendo ações educativas e preventivas, além de acompanhar de forma sistemática a evolução do quadro clínico dos pacientes.

Com base nos resultados desta revisão, observa-se a necessidade de investimentos em capacitação profissional, políticas públicas voltadas à atenção integral ao diabético e estruturas que favoreçam o trabalho multidisciplinar. Além disso, sugere-se que futuras pesquisas ampliem a abordagem sobre a vivência dos enfermeiros no cuidado com o DM1 em diferentes contextos socioculturais bem como investiguem estratégias inovadoras que promovam maior adesão ao tratamento e melhoria da Qualidade de Vida (QV) dos pacientes.

Assim, reforça-se que a enfermagem, com sua presença constante, olhar sensível e prática fundamentada, é peça essencial na criação de um cuidado mais justo, eficaz e humanizado no enfrentamento do Diabetes Mellitus Tipo 1.

 

    • Declaração de direitos

 Os autores declaram ser detentores dos direitos autorais da presente obra, que o artigo não foi publicado anteriormente e que não está sendo considerado por outra(o) Revista/Journal. Declaram que as imagens e textos publicados são de responsabilidade dos autores, e não possuem direitos autorais reservados a terceiros. Textos e/ou imagens de terceiros são devidamente citados ou devidamente autorizados com concessão de direitos para publicação quando necessário. Declaram respeitar os direitos de terceiros e de Instituições públicas e privadas. Declaram não cometer plágio ou autoplágio e não ter considerado/gerado conteúdos falsos e que a obra é original e de responsabilidade dos autores.

 

    • Referências

1

UNINASSAU, Brasília, Brasil. Email:

2

UNINASSAU, Brasília, Brasil. Email:

3

UNINASSAU, Brasília, Brasil. Email:


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