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ISSN: 2595-8402

DOI: 10.5281/zenodo.5569253

Publicado em 14 de outubro de 2021

REVISTA SOCIEDADE CIENTÍFICA, VOLUME 4, NÚMERO 1, ​​ 2021

 

MARIA, GERAÇÃO OU GESTAÇÃO DO FILHO DE DEUS?

 

​​ Marcelo Victor Rodrigues Nascimento1

 

Instituto Aliança de Linguística, Teologia e Humanidades (IALTH) - Recife, Brasil

​​ [email protected]

 

RESUMO

Este artigo teve por objetivo apresentar uma revisão bíblica sobre a real participação de Maria no tão esperado nascimento do Filho de Deus. Para tanto, foram analisadas as seguintes questões: (1) Quem era Maria, mãe de Jesus? (2) Qual é a condição de todos os seres humanos que vêm ao mundo em relação ao pecado? (3) O que a Bíblia fala sobre a pessoa de Jesus? e (4) Como entender a impecabilidade de Jesus? Após análise dos textos bíblicos, é possível compreender que o Messias foi gerado de forma sobrenatural e que Sua gestação, ao contrário, foi totalmente natural, realizada por meio de uma israelita da descendência de Abraão, cujo nome era Maria. Com isso, é possível concluir, salvo melhor juízo, que Maria não foi a mãe biológica de Jesus, mas a mãe adotiva, algo que parece estar em pleno acordo com diversas passagens bíblicas e com as palavras do soberano Deus acerca do nascimento de Jesus: Tu és meu Filho, eu hoje te gerei” (Salmos 2:7) [1].

Palavras-chave: Maria; Jesus; gestação; geração; pecado; sobrenatural.

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ABSTRACT

This article aimed to present a biblical review on the real participation of Mary in the long-awaited birth of the Son of God. Therefore, the following questions were analyzed: (1) Who was Mary, mother of Jesus? (2) What is the condition of all human beings who come into the world in relation to sin? (3) What does the Bible say about the person of Jesus? and (4) How to understand Jesus' sinlessness? After analyzing the biblical texts, it is possible to understand that the Messiah was supernaturally generated and that His gestation, on the contrary, was completely natural, carried out through an Israelite of Abraham's descent, whose name was Mary. With this, it is possible to conclude, unless better judged, that Mary was not Jesus' biological mother, but the adoptive mother, something that seems to be in full agreement with several biblical passages and with the words of the sovereign God about the birth of Jesus: “You are my Son, I have begotten you today” (Psalm 2:7) [1].

Keywords: Mary; Jesus; gestation; generation; sin; supernatural.

 

1. INTRODUÇÃO

Jesus Cristo é o assunto central das Escrituras Sagradas [2], cujo nascimento foi o evento mais aguardado desde os primórdios da existência humana, tanto em Israel, quanto nos confins da terra e nos lugares celestiais [3].

Mais importante do que os magníficos milagres operados por Yahweh (o Deus de Israel), o choro daquela criança em Belém de Judá rompeu o silêncio das trevas nas quais a humanidade estava mergulhada [3] e o resplendor da luz que brilhou na escuridão trouxe a visão de uma multidão de anjos que alegremente louvavam ao Criador, dizendo: Glória a Deus nas alturas, Paz na terra, boa vontade para com os homens” (Lucas 2:14) [1].

Contudo, um mistério cercava aquela criança recém-nascida, pois, acerca d’Ela, as Escrtiras Sagradas anunciavam coisas maravilhosas, tais como:

(1) Jesus tornaria a congregar tanto as coisas que estavam no céu, como as que estavam na terra ​​ (Efésios 1:9,10) [1] ;

(2) Yahweh estaria em Cristo reconciliando consigo o mundo (2 Coríntios 5:19) [1]; e

(3) Yahweh resgataria a Sua igreja pelo seu próprio sangue (Atos 20:28) [1] [4].

 O apóstolo Paulo, quando falou do nascimento de Jesus, mencionou o Seu ​​ “esvaziamento” como sinal da subtração de algo que possuía antes de vir ao mundo:Que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus, mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens” (Filipenses 2:6-8) [1].

É possível que o apóstolo, nessa passagem, estivesse referindo-se à nobreza e humildade de Jesus que, sendo o Filho de Deus, não usou da Sua reputação para mostrar-se superior aos demais mortais, colocando-se na posição de servo [5].

Contudo, tal expressão também parece estar relacionada ao despojamento dos atributos incomunicáveis que Jesus possuía na eternidade (onipresença, onipotência, onisciência, imutabilidade, eternidade, imortalidade, etc.), antes que o verbo se fizesse carne e habitasse entre os mortais (João 1:14) [1].

Tal ato sublime de amor revelou, entre outras coisas, o caráter de Deus em todos as suas dimensões, pois Jesus não veio ao mundo como um integrante de uma família rica e poderosa, não nasceu em um palácio, nem se deitou num berço esplêndido no ato do nascimento [3]. Ao contrário, nasceu no seio de uma família humilde, dentro de um estábulo e foi posto em uma manjedoura: “E deu à luz a seu filho primogênito, e envolveu-o em panos, e deitou-o numa manjedoura, porque não havia lugar para eles na estalagem” (Lucas 2:7) [1].

Embora fosse Senhor da Lei Judaica, Jesus nasceu sob a Lei, tornou-se sujeito a ela e cumpriu-a com perfeição, a fim de resgatar os que estavam debaixo da mesma: Mas, vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, para remir os que estavam debaixo da lei, a fim de recebermos a adoção de filhos” (Gálatas 4:4,5) [1].

 Não foi, contudo, uma geração comum, pois a Bíblia afirma que Jesus nasceu do ventre de uma mulher virgem, por obra do Espírito Santo, não carregando, portanto, a culpa e a corrupção que todos os descendentes de Adão carregam quando nascem: José, filho de Davi, não temas receber a Maria, tua mulher, porque o que nela está gerado é do Espírito Santo” (Mateus 1:20) [1] [6] [4].

 Além do maravilhoso milagre, o nascimento virginal de Jesus simbolizava que a salvação da humanidade dar-se-ia unicamente por obra divina, mediante a fé, e não pelos méritos e esforços humanos: Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie” (Efésios 2:8,9).

 Uma dúvida, porém, tem intrigado a muitos ao longo dos séculos acerca do nascimento de Jesus, qual seja: qual foi a real participação de Maria no nascimento do Filho de Deus, uma vez que a Bíblia diz que Ele foi gerado pelo Espírito Santo (Mateus 1:20) [1]?

Assim sendo, este artigo propõe-se a apresentar uma revisão bíblica sobre sobre a real participação de Maria no tão esperado nascimento do Filho de Deus.

 

2. DISCUSSÃO

2.1  QUEM ERA MARIA, MÃE DE JESUS?

Segundo as Escrituras Sagradas, Maria (forma grega do nome Miriã) era uma virgem que habitava na cidade de Nazaré, na Galiléia, oficialmente prometida em casamento a um varão da mesma aldeia: E, no sexto mês, foi o anjo Gabriel enviado por Deus a uma cidade da Galiléia, chamada Nazaré, a uma virgem desposada com um homem, cujo nome era José, da casa de Davi; e o nome da virgem era Maria” (Lucas 1:26,27) [1].

A Bíblia relata que, no tempo determinado por Deus, ela recebeu a visita de um anjo, Gabriel, o qual comunicou-lhe que ela havia sido escolhida pelo Soberano Criador para gerar Seu filho, a quem deveria pôr o nome de Jesus, que significa “Deus salva”: Disse-lhe, então, o anjo: Maria, não temas, porque achaste graça diante de Deus. E eis que em teu ventre conceberás e darás à luz um filho, e pôr-lhe-ás o nome de Jesus. Este será grande, e será chamado filho do Altíssimo; e o Senhor Deus lhe dará o trono de ​​ Davi, seu pai; e reinará eternamente na casa de Jacó, e o seu reino não terá fim” (Lucas 1:30-33) [1].

Ao receber tal anúncio, Maria perguntou ao anjo como aquilo seria possível, visto que ela não conhecia varão (Lucas 1:34) [1]. O anjo lhe respondeu, então, que a concepção de Jesus seria sobrenatural, de tal forma que a virtude do Todo Poderoso a cobriria e esse ato miraculoso resultaria em uma geração divina: Descerá sobre ti o Espírito Santo, e a virtude do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra; por isso também o Santo, que de ti há de nascer, será chamado Filho de Deus” (Lucas 1:35) [1].

Para confortá-la acerca do poder de Deus em relação à geração de Jesus, o anjo reportou a Maria que sua prima Isabel, que era estéril, havia gerado um filho em sua velhice e já estava no sexto mês, pois o que era impossível para o homem, para Deus não o era: E eis que também Isabel, tua prima, concebeu um filho em sua velhice; e é este o sexto mês para aquela que era chamada estéril; porque para Deus nada é impossível” (Lucas 1:36,37) [1].

Ao visitar Isabel, Maria contemplou pessoalmente tal obra divina, conforme relatam as Escrituras Sagradas: E, naqueles dias, levantando-se Maria, foi apressada às montanhas, a uma cidade de Judá, e entrou em casa de Zacarias, e saudou a Isabel. E aconteceu que, ao ouvir Isabel a saudação de Maria, a criancinha saltou no seu ventre; e ​​ Isabel foi cheia do Espírito Santo” (Lucas 1:39-41) [1].

O Evangelho segundo Mateus mostra que José, homem justo, ao saber da gravidez de Maria, da qual não participara como marido, intentou deixá-la secretamente, contudo foi avisado, em sonho, que nenhuma traição ocorrera e que o ser que nela estava sendo gerado era do Espírito Santo: José, filho de Davi, não temas receber a Maria, tua mulher, porque o que nela está gerado é do Espírito Santo; e dará à luz um filho e chamarás o seu nome JESUS; porque ele salvará o seu povo dos seus pecados” (Mateus 1:20,21) [1].

Esse é o relato bíblico que trata da identidade de Maria, a israelita escolhida por Yahweh para trazer o Messias ao mundo, não por mãos humanas, mas por obra milagrosa do Espírito Santo [4].

 

2.2 QUAL É A CONDIÇÃO DE TODOS OS SERES HUMANOS QUE VÊM AO MUNDO EM RELAÇÃO AO PECADO?

 Davi atestou, no Livro de Salmos, que ele havia sido gerado em pecado desde o ventre da sua mãe, com a seguinte afirmação: Eis que em iniqüidade fui formado, e em pecado me concebeu minha mãe” (Salmos 51:5) [1].

Tais palavras não parecem indicar que Davi estivesse referindo-se ao ato sexual como o grande responsável pelos seus pecados, até porque, se assim fosse, as inseminações artificiais e as fertilizações in vitro teriam, necessariamente, que gerar pessoas sem pecado, o que absolutamente não ocorre ​​ [7] [8].

A carta de Paulo aos Romanos esclarece que a condição pecaminosa do ser humano é transmitida de geração em geração e não diz respeito ao ato sexual: Portanto, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens por isso que todos pecaram” (Romanos 5:12) [9].

Por esse verso, fica claro que o pecado entrou no mundo por causa da desobediência de Adão e Eva, trazendo maldição para toda a terra: Porquanto deste ouvidos à voz de tua mulher, e comeste da árvore de que te ordenei, dizendo: Não comerás dela, maldita é a terra por causa de ti; com dor comerás dela todos os dias da tua vida” (Gênesis 3:17) [9].

 A partir de Adão, todos os seres humanos são pecadores por natureza e nascem com todas as células do corpo, com a mente e com coração contaminados pelo pecado, incluindo Maria, mãe de Jesus, que reconheceu, por si própria, que necessitava de um salvador: Disse então Maria: a minha alma engrandece ao Senhor, e o meu espírito se alegra em Deus meu Salvador” (Lucas 1:46,47) [1].

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2.3 O QUE A BÍBLIA FALA SOBRE A PESSOA DE JESUS?

 A Bíblia revela, com todas as letras, que Jesus era um homem perfeito, de carne e osso, assim como os demais: Vede as minhas mãos e os meus pés, que sou eu mesmo; apalpai-me e vede, pois um espírito não tem carne nem ossos, como vedes que eu tenho” (Lucas 24:39) [1]. Em determinada passagem, Ele próprio disse isso: Mas agora procurais matar-me, a mim, homem que vos tem dito a verdade que de Deus tem ouvido” (João 8:40) [1].

Segundo as Escrituras Sagradas, não havia nada, em Jesus, que fisicamente O diferenciasse dos demais seres humanos: Por isso convinha que em tudo fosse semelhante aos irmãos” (Hebreus 2:17) [1]. Contudo, quanto ao aspecto moral, a Bíblia relata que não houve n’Ele pecado algum, sendo santo e irrepreensível:

(1) O qual não cometeu pecado, nem na sua boca se achou engano” (1 Pedro 2:22) [1];

(2) “Porque não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; porém, um que, como nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado” (Hebreus 4:15) [1];

(3) “Quem dentre vós me convence de pecado” (João 8:46) [1];

(4) E qualquer que nele tem esta esperança purifica-se a si mesmo, como também ele é puro” (1 João 3:3) [1];

(5) E bem sabeis que ele se manifestou para tirar os nossos pecados; e nele não há pecado” (1 João 3:5) [1]; e

(6) Quem pratica justiça é justo, assim como ele é justo” (1 João 3:7) [1].

 

Na Carta aos Coríntios, o apóstolo Paulo chama Jesus de “último Adão”, uma referência direta ao primeiro homem criado por Deus em estado de perfeição moral: O primeiro homem, Adão, foi feito em alma vivente; o último Adão em espírito vivificante. Mas não é primeiro o espiritual, senão o natural; depois o espiritual. O primeiro homem, da terra, é terreno; o segundo homem, o Senhor, é do céu” (1 Coríntios 15:45-47) [1].

Mas, como entender a qualidade moral de Jesus, uma vez que os homens nascem com a natureza caída e estão mortos em ofensas e pecados? O que fez de Jesus íntegro desde o Seu nascimento, se a Bíblia diz que não há um homem sequer que faça sempre o bem e que nunca peque por causa da sua natureza depravada: Na verdade que não há homem justo sobre a terra, que faça o bem, e nunca peque” (Eclesiastes 7:20) [1].

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2.4 COMO ENTENDER A IMPECABILIDADE DE JESUS?

A geração de Jesus parece ser o segredo para a Sua impecabilidade, visto que, como dito anteriormente, Ele era um homem gerado pelo Espírito Santo e não de semente corruptível: Porque nos convinha tal sumo sacerdote, santo, inocente, imaculado, separado dos pecadores, e feito mais sublime do que os céus” (Hebreus 7:26) [1] [4].

Tal verso mostra claramente que Jesus era IMACULADO (grifo do autor) e isso não faz referência ao ato sexual, mesmo porque, embora não tenha havido, de fato, relação entre José e Maria, foi mostrado, anteriormente, neste artigo, que não é o ato sexual que transmite a natureza caída às pessoas, mas, sim, a genética humana [9] [10].

Além de declarar que Jesus era imaculado, a passagem supracitada diz que Ele era SEPARADO DOS PECADORES (grifo do autor) e MAIS SUBLIME DO QUE O CÉU (grifo do autor). Tais afirmações, por si só, nos dão a ideia de que Jesus foi gerado no mesmo estado de perfeição que possuía Adão, ou seja, sem qualquer participação humana, nem mesmo de Maria, pois, sendo pecadora, se houvesse gene dela em Jesus, Ele não poderia ter tido essas características [4].

O Livro de Hebreus confirma essa realidade ao dizer as seguintes palavras: Mas, vindo Cristo, o sumo sacerdote dos bens futuros, por um maior e mais perfeito tabernáculo, não feito por mãos, isto é, não desta criação” (Hebreus 9:11) [1]. Está claro, portanto, que o corpo de Jesus (Seu tabernáculo) era “perfeito” (sem mácula, sem pecado) e não era “desta criação” (sem gene da natureza humana caída) [11], de sorte que Maria não teve qualquer participação na geração de Jesus, pois seu gene era caído e trazia mácula (pecado) [11].

Engana-se, portanto, quem diz que Deus usou um óvulo de Maria para gerar Jesus, pois, se assim o fizesse, Jesus teria nascido pecador, como os demais descendentes de Adão [11]. Além do que, Deus não precisa de algo pré-existente para gerar absolutamente nada, basta mandar: Pela fé entendemos que os mundos pela palavra de Deus foram criados; de maneira que aquilo que se vê não foi feito do que é aparente” (Hebreus 11:3) [1].

Maria fez, tão somente, a gestação de Jesus e não sua geração, uma vez que Ele foi gerado pelo Espírito Santo e não por Maria (Mateus 1:20) [1] [11], algo que, nos dias de hoje, é perfeitamente compreensível, pois a ciência desenvolveu a maternidade por substituição (“barriga de aluguel”), a qual permite a gestação de uma criança por uma mãe adotiva, e não pela biológica [12] [11].

Nessa modalidade de gestação (por substituição), um embrião de pais negros (pais biológicos) em um ventre de uma mulher branca (mãe adotiva) acaba por nascer uma criança negra, mostrando que a mãe adotiva, embora tenha dado à luz, não teve qualquer participação na geração da mesma [13] [14].

Há quem diga que o fato de a Bíblia dizer, em Hebreus 2:16 e Romanos 9:5, que o Messias seria da descendência de Abraão e que Ele nasceria judeu segundo a carne, respectivamente, sejam impeditivos para afirmar que não houve participação de Maria na geração do Filho de Deus [15].

Entretanto, como não há contradição nas Escrituras Sagradas e seus livros guardam uma perfeita harmonia entre si, as passagens supracitadas (Hebreus 2:16 e Romanos 9:5) [1], que fala da promessa feita a Abraão, pode, perfeitamente, estar se referindo ao fato de o Messias ter vindo ao mundo através de uma mulher israelita, o que realmente ocorreu, pois Maria era da tribo de Judá: Porque, na verdade, ele não tomou os anjos, mas tomou a descendência de Abraão” (Hebreus 2:16).

Interessante notar, em tal passagem, que é feito um contraste entre “homens” e “anjos”, o que parece ser bastante significativo, pois o importante é entender que Jesus era um ser humano, nascido em meio ao povo de Israel, cujo tabernáculo era perfeito, não desta criação (sem material genético maculado pelo pecado) (Hebreus 9:11) [1]. ​​ 

Qual seria, então, o DNA de Jesus?

O mesmo que Deus deu, de forma sobrenatural, a Adão, aquele que é intitulado na Bíblia como tendo sido gerado diretamente por Deus: “E Cainã de Enos, e Enos de Sete, e Sete de Adão, e Adão de Deus” (Lucas 3:38) [1].

 

3. CONCLUSÃO

Considerando os textos bíblicos e argumentos apresentados ao longo desta investigação científica, é possível compreender que o Messias foi gerado de forma sobrenatural e que Sua gestação, ao contrário, foi totalmente natural, realizada por meio de uma israelita da descendência de Abraão, cujo nome era Maria.

Com isso, é possível concluir, salvo melhor juízo, que Maria não foi a mãe biológica de Jesus, mas a mãe adotiva, algo que parece estar em pleno acordo com diversas passagens bíblicas e com as palavras do soberano Deus acerca do nascimento de Jesus: Tu és meu Filho, eu hoje te gerei” (Salmos 2:7) [1].

Neste artigo, não foram explorados os aspectos ligados à divindade de Jesus, pois o tema em pauta era a maternidade do Filho de Deus. Contudo, trata-se de um assunto importante para futuras investigações, que podem, inclusive, contribuir para elucidar o mistério envolto na pessoa de Jesus de Nazaré, o Messias.

4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

[1]Bíblia On-line, Bíblia Sagrada. Versões Almeida Corrigida e Fiel/Nova Versão Internacional/Nova Almeida Atualizada., 2021.

[2]B. César, “Jesus Cristo, o principal assunto da Bíblia - Romanos 15:4.” Canal Grafia Cursos, 2019, [Online]. Available: https://www.youtube.com/watch?v=G1xJD0F6ItM.

[3]L. Almeida, “A importância do nascimento de Jesus.” Blog Santo e Douto, 2018, [Online]. Available: http://www.santoedouto.org/2018/12/a-importancia-do-nascimento-de-jesus.html.

[4]J. L. Silva, Teologia sistemática II: cristologia, antropologia e hamartiologia. Indaial, Santa Catarina: UNIASSELVI, 2009.

[5]A. Franco, “‘Existindo em forma de Deus’ (Fp 2: 6,7).” Blgo A Humanidade de Jesus, 2021, [Online]. Available: https://ahumanidadedejesus.org/2019/09/10/existindo-em-forma-de-deus/.

[6]Igreja Católica Apostólica Romana, Catecismo da Igreja Católica, no. 2. Vaticano: Vaticano, 2021.

[7]T. Maia, L. Munhoz, and B. M. Silva, Reprodução assistida, 1st ed. Brasília, DF: Maia&Munhoz Consultoria e Advocacia, 2018.

[8]A. Bussab, Guia sobre fertilização in vitro: tudo o que você precisa saber. Osasco, SP: Centro de Reprodução Humana Dr. Augusto Bussab, 2017.

[9]F. Collins, “A genômica humana e a imagem de Deus,” Assoc. Bras. Cris. na Ciência, pp. 1–18, 2018.

[10]R. R. Gonçalez, “Uma questão de genética.” Blog Portal Gospel, pp. 1–5, 2011, [Online]. Available: https://estudos.gospelmais.com.br/uma-questao-de-genetica.html.

[11]M. V. R. Nascimento, Santíssima trindade: quase dois mil anos de engano religioso, 2nd ed. Itapetininga, Brasil: Gráfica Regional, 2020.

[12]S. L. F. Gante, “A maternidade de substituição,” Universidade de Coimbra, 2018.

[13]S. Malafaia, “Pastor Silas Malafaia comenta: o PSOL , o aborto e o STF. Vergonha!” Canal Sila Malafaia Oficial, 2018, [Online]. Available: https://www.youtube.com/watch?v=xb6uLugr5MY.

[14]N. Luna, “Maternidade desnaturada: uma análise da barriga de aluguel e da doação de óvulos,” Cad. Pagu, no. 19, pp. 233–278, 2002, [Online]. Available: https://www.scielo.br/j/cpa/a/44WWCQ8vZJ6HJrdms4zczJz/?lang=pt&format=pdf.

[15]F. Schmidt, “519- Pecado original a natureza do Messias.” Canal do Evangelista Flávio, 2021, [Online]. Available: https://www.youtube.com/watch?v=lmBK2zEVg1I&t=3195s.

[16] Velho e Novo Testamentos. Bíblia On-line, Versões Almeida Corrigida e Fiel/Nova Versão Internacional/Nova Almeida Atualizada. Disponíveis em: https://www.bibliaonline. com.br/

 

 

1

Doutor e Mestre em Teologia, pela Universidade da Bíblia - São Paulo. Bacharel em Ciências Militares, pela Academia da Força Aérea Brasileira (AFA) - Pirassununga - SP. Licenciado em Educação Física, pela Escola de Educação Física do Exército (EsEFEx) - Rio de Janeiro. Bacharel em Administração de Empresas, pela Universidade Presbiteriana Mackenzie - São Paulo. Acadêmico do Curso de Licenciatura em Filosofia, pelo Instituto Aliança de Linguística, Teologia e Humanidades (IALTH) – Recife – PE. Pós-graduado em Ciências da Religião, pelo Instituto Aliança de Linguística, Teologia e Humanidades (IALTH) – Recife – PE. Mestrando em Treino Desportivo, pela Escola Superior de Desporto e Lazer – Melgaço, Portugal.


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