VOLUME 2, NÚMERO 5, MAIO DE 2019

ISSN: 2595-8402

DOI: 10.5281/zenodo.3241863

 

O LÚDICO COMO POSSIBILIDADE DE APROXIMAÇÃO DOS CONCEITOS DA FÍSICA NA EDUCAÇÃO INFANTIL

 

Raquel dos Santos Rickes1​​ & Mauro​​ Cristian​​ Garcia Rickes2​​ 

 

1,2IFSul-Pelotas/CAVG, Pelotas, Brasil ​​​​ 

raquelsds@gmail.com

maurocgrr@gmail.com

 

RESUMO

Esse trabalho teve como principal objetivo investigar se os alunos da pré-escola são capazes de assimilar o conceito de conservação de energia mecânica sendo estimulados de forma lúdica, pois é nessa fase da vida que as crianças demonstram um maior interesse em explorar e descobrir o mundo ao seu redor. O desenvolvimento da pesquisa se deu em seis fases. Primeiramente foi realizado um estudo para delimitar o conteúdo da física a ser abordado. Após este estudo foram elaboradas atividades recreativas que possibilitassem uma abordagem lúdica do conceito físico proposto. A segunda fase teve como objetivo construir os experimentos envolvendo o conceito físico escolhido na primeira fase. A terceira​​ fase foi desenvolver o Instrumento de Coleta de Dados. A quarta fase teve como objetivo realizar a atividade com os alunos. O objetivo da quinta fase foi aplicar o instrumento de coleta de dados e a última fase foi avaliar através de observações e questionamentos o entendimento que os alunos tiveram em relação às atividades propostas. Os resultados sugerem fortemente que quando as crianças são estimuladas de forma lúdica é possível que elas entendam um conceito físico​​ tal como o de conservação de energia mecânica.

Palavras Chave: lúdico, física, pré-escola.

 

 

1.INTRODUÇÃO

Ao longo dos tempos muito se tem discutido sobre as várias metodologias de ensino de ciências. ​​​​ Na área da física, por exemplo, discute-se a importância do uso de atividades experimentais, ou experimentos de laboratórios como auxílio fundamental no entendimento dos conceitos que levam à compreensão do mundo e dos fenômenos físicos que nele ocorrem. Segundo Cavalcanti (1995, p.18), esse tipo de abordagem desperta nas crianças um caráter investigativo e, conseqüentemente a vontade de buscar novos conhecimentos”.

A presente pesquisa buscou investigar se os alunos da Pré-escola​​ têm os pré-requisitos para assimilar um conceito físico através do uso de atividades lúdicas como mediadoras do ensino. Segundo os Parâmetros Curriculares para a Educação Infantil (PCNs, p. 63), um dos objetivos para essa faixa etária é que as crianças sejam capazes de:

[...] utilizar as diferentes linguagens (corporal, musical, plástica, oral e escrita) ajustadas às diferentes intenções e situações de comunicação, de forma a compreender e ser compreendido, expressar suas ideias, sentimentos, necessidades e desejos e avançar no seu processo de construção de significados, enriquecendo cada vez mais sua capacidade expressiva.

Logo, o significado do termo Lúdico, que tem origem do latim ludos e está relacionado com jogos e brincadeiras, 1vem corroborar com o objetivo deste trabalho, uma vez que as crianças foram levadas a pensar através do uso de diferentes linguagens.

Segundo Campos (2003, p.20), “a Educação Infantil é a fase das descobertas onde não devem faltar estímulos e as atividades lúdicas auxiliam na aprendizagem aproximando os alunos dos conhecimentos científicos de forma divertida”.

Neste contexto podemos considerar que as crianças podem ser​​ levadas desde cedo a reconhecer os conteúdos de ciências, uma vez que tais conceitos são de extrema importância para formar uma base de conhecimentos e para a formação de indivíduos conscientes do mundo em que vivem. Para confirmar esta consideração temos​​ o exemplo a seguir citado por Moreira (1998, p.56):

[...], por exemplo, existem roupas "quentes" e roupas “frias”, e a criança assim as reconhece e nomeia. Quando a criança terá a oportunidade de refletir sobre os pontos de vista da ciência a respeito do que é calor e temperatura?​​ 

As atividades devem ser pensadas de tal forma que as crianças consigam ampliar sua capacidade conceitual, que através dessas atividades as crianças possam refletir e questionar sobre as coisas que acontecem a sua volta,formando assim o conhecimento científico.

Embora o ensino de física não esteja previsto nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) para alunos da Pré- escola, a importância da inserção do ensino de física desde a Pré-escola, se justifica porque segundo Campos (2010, p.60) “é nessa fase da vida que as crianças demonstram um maior interesse em explorar e descobrir tudo que as cerca”.

Outro fator relevante para inserção de tais conhecimentos nesta etapa escolar, segundo Carvalho 1998, é que o contato com tais conteúdos nessa faixa etária facilitará a compreensão dos mesmos nas etapas escolares posteriores, uma vez que os alunos já estarão familiarizados com os mesmos.

Neste sentido, Santos (2010, p.102) diz que:

As atividades lúdicas proporcionam uma aprendizagem descontraída e ao mesmo tempo proveitosa, sendo que a educação através do lúdico propõe-se a uma nova postura existencial, cujo modelo é um novo sistema de aprendizagem inspirado numa concepção de educação para além de apenas ensinar.

Nesse contexto, é importante que os professores consigam ganhar a atenção dos alunos, encontrando formas de resgatar a curiosidade deles. As atividades propostas em sala de aula precisam ser tão interessantes quantas aquelas que as crianças estão acostumadas desde bem pequenas fora de escola.

Para corroborar com essa ideia​​ Benetti (1995, p. 31) diz que:​​ 

[...] não podemos mais pensar como se fazia antigamente, que bastava sair da escola com o diploma que, profissionalmente, estava resolvido o nosso problema. Agora quem não estudar continuamente vai a médio prazo​​ perder seu emprego ou ser colocado à margem do trabalho. E, infelizmente, precisamos de​​ cada vez mais educação, porque a quantidade de avanços tecnológicos, hoje em dia é fantástica. Nada dura muito tempo. O conhecimento está se renovando muito rapidamente

Segundo os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs, p.64), “o ensino de Ciências deve utilizar diversos métodos, inclusive jogos, porque um estudo baseado somente nos livros não é suficiente para formação dos estudantes”.

Neste contexto, buscou-se investigar se os alunos da Educação Infantil são capazes de assimilar um conceito de física sendo estimulados de forma lúdica.

 

2.REFERENCIAL TEÓRICO

Estudos de Santos (2002, p. 34), mostram que “em todos os tempos a ludicidade​​ é uma atividade intrínseca do ser humano, é uma forma de expressão e linguagem e não pode ser vista apenas como diversão”. A Escola por sua vez pode aproveitar este tempo para unir brincadeira e aprendizado.

Segundo Vygotsky​​ (l988, p. 79):

[...] o brincar tem um papel fundamental no desenvolvimento do pensamento das crianças, é através das brincadeiras que as crianças procuram incorporar o significado das coisas. O desenvolvimento intelectual das crianças ocorre a partir das interações sociais, levando em consideração o contexto social, histórico e cultural em que ocorrem.

Vygotsky​​ (1988, p.85) diz que “ao brincar as crianças representam situações já vividas em seu meio sociocultural, ou seja, suas representações são lembranças, e não somente​​ pura imaginação”.

Em conformidade com esta ideia​​ Leontiev​​ (1998, p.99) escreveu que: “não é a imaginação que determina a ação, mas são as condições da ação que tornam necessária a imaginação e dão origem a ela”.​​ 

Vygotsky​​ (1988, p. 108) diz ainda que: “para aprender as crianças desenvolvem primeiro suas funções superiores se apropriando de signos e instrumentos, através da interação entre elas e um sujeito mais capaz”.

O aprendizado inicia no que o autor chama de Zona de Desenvolvimento Proximal, que são os processos mentais que estão em construção na criança, ou que ainda não estão bem elaborados, é uma fase de transformação do período em que a criança ainda precisa de ajuda de alguém para fazer as coisas, até o momento em que fará sozinha.

Nessa perspectiva, segundo o Referencial Curricular Nacional da Educação Infantil (BRASIL, 1998, p. 30, v.01):

O professor é mediador entre as crianças e os objetos de conhecimento, organizando e propiciando espaços e situações de aprendizagens que articulem os recursos e capacidades afetivas, emocionais, sociais e cognitivas de cada criança aos seus conhecimentos prévios e aos conteúdos referentes aos diferentes campos de conhecimento humano. Na instituição de educação infantil o professor constitui-se, portanto, no parceiro mais experiente, por excelência, cuja função é propiciar e garantir um ambiente rico, prazeroso, saudável e não discriminatório de experiências educativas e sociais variadas.

Logo em seguida, o aprendizado se completa na Zona de Desenvolvimento Real, que é tudo aquilo que a criança já sabe que é capaz de realizar sozinha sem o auxílio de um adulto ou de uma criança mais experiente. Nesse sentido usar brincadeiras no início da escolarização é um excelente recurso, pois favorece os processos em formação.

Sobre este aspecto Vygotsky​​ (1998, p.112) cita:​​ 

O brinquedo cria na criança uma zona de desenvolvimento proximal, determinado através da solução de problemas sob a orientação de um adulto ou em colaboração com companheiros mais capazes e o nível de desenvolvimento real, que se costuma determinar através da solução independente de problemas.

Oliveira (1995, p.57) reforça essa idéia dizendo que “a Zona de Desenvolvimento Proximal é um domínio psicológico em constante transformação”. Refere-se ao caminho de amadurecimento das funções dos indivíduos, ou seja, ações que no início a criança desempenha com a ajuda de alguém, depois de um tempo ela passam a fazer sozinhas.

Em seu livro Ciências no Ensino Fundamental: o conhecimento físico​​ Carvalho (1998, p.171), aponta que:

​​ A partir do uso de experimentos as crianças conseguem elaborar discussões entre elas e seus professores, compreenderem conceitos, elaborar explicações e relacionar situações experimentais com situações cotidianas.

Os estudos de Carvalho foram feitos somente no Ensino Fundamental porque a autora considera que é nesta etapa escolar que as crianças se encontram pela primeira vez com estudos de conceitos científicos. No entanto pretendemos aliar seus conhecimentos com as teorias de outros autores como Sousa (1996, p.89) que defende que:

​​ A Educação Infantil é uma fase importante no desenvolvimento da criança, porque é durante esta fase que as bases do ser humano começam a ser estruturadas, visto que são estimulados e iniciados os processos de formação e integração das várias áreas do desenvolvimento.

Sendo assim, iniciar a pensar sobre Ciências nesta etapa escolar aproxima as crianças dos conceitos dessa disciplina de maneira gradual, fazendo com que esses conteúdos deixem de ser considerados de difícil compreensão no decorrer dos anos seguintes de escolarização.

De acordo com essa ideia​​ Cerisara​​ (2002, p.45), diz que “o lúdico auxilia na formação de conceitos intuitivos e ajuda na transformação e na formação de​​ ideias”. As atividades lúdicas auxiliam na compreensão de conceitos, a descobrirem suas potencialidades, a se relacionarem, torna mais fáceis a solução de problemas e contribuem para o entendimento da linguagem.

Ao escrever sobre a importância da brincadeira na escola Macedo (2003, p.20) diz que “a mesma é uma experiência fundamental​​ que facilita a aquisição dos conhecimentos e a elaboração das respostas por meio de um trabalho lúdico, simbólico e operatórios integrados”.​​ 

Também neste aspecto Santos (2002, p.28) diz:

[...] o desenvolvimento do aspecto lúdico facilita a aprendizagem,​​ o desenvolvimento pessoal, social e cultural, colabora para uma boa saúde mental, prepara para um estado interior fértil, facilita os processos de socialização, comunicação, expressão e construção de conhecimento.

Para corroborar com essa ideia​​ Carvalho (1992, p. 28), diz que “o ensino desenvolvido de forma lúdica é revelador e denota um caráter afetivo ao longo do desenvolvimento da inteligência nas crianças”.

Vygotsky​​ (1998, p. 113) ainda afirma que “A essência do brinquedo é a criação de uma nova relação entre o campo do significado e o campo da percepção visual, ou seja, entre situações no pensamento e situações reais”. Essa é à base das brincadeiras. Quando as crianças fazem essas relações de forma espontânea, elas demonstram que estão se desenvolvendo.

Nesse sentido Leontiev​​ (1998, p. 75) afirma que:​​ 

[...] o brinquedo é a atividade principal da criança, aquela em conexão com a qual ocorrem as mais significativas mudanças no desenvolvimento psíquico do sujeito e na qual se desenvolvem os processos psicológicos que preparam o caminho da transição da criança em direção a um novo e mais elevado nível de desenvolvimento.

 

Antes de iniciarmos o trabalho propriamente dito, é fundamental que o leitor compreenda alguns conceitos físicos relevantes que serão tratados ao longo do mesmo, tais como o conceito de energia cinética, energia potencial gravitacional, energia potencial elástica e energia mecânica.

A energia cinética de uma partícula, simbolizada pela letra k​​ é aquela energia que está associada à sua velocidade, ou seja,

Onde m​​ é a massa da partícula e​​ v​​ é a sua velocidade instantânea. ​​​​ Ao usarmos a massa em kg e a velocidade em m/s obteremos a energia, no sistema internacional, como Joule (J). ​​ ​​ ​​​​ Já a energia potencial de uma partícula, simbolizada pela letra U​​ não está associada à sua velocidade, mas sim a sua posição em relação a um sistema de coordenadas. ​​​​ Segundo​​ Halliday​​ e Walker (2009, p.100 – 120), “existem várias formas de energia potencial”, mas neste trabalho trataremos apenas de duas: energia potencial gravitacional e energia potencial elástica, porque apenas estas estão relacionadas com a energia mecânica que definiremos logo a seguir.

Imaginamos a seguinte situação: uma partícula é deixada cair livremente de certa altura em relação ao solo como mostra o diagrama abaixo.

 

 

 

Aplicando o teorema trabalho-energia e levando em conta que somente o peso realiza trabalho na situação acima temos:


Mas, como podemos ver pela Figura,
, então,

Vimos que do lado direito da equação surge uma quantidade que tem unidade de energia e que é diretamente proporcional à sua posição. ​​​​ A esta quantidade atribuímos o nome de energia potencial gravitacional (), ou seja,

Onde h​​ é a diferença de nível ou altura. ​​​​ Sua unidade me medida no SI também é Joule. Podemos ainda dizer que:

Temos ainda outro tipo de energia denominada de energia elástica. ​​​​ Como o próprio nome sugere, esta é uma forma de energia potencial que provem de uma mola ou algo semelhante a uma. ​​​​ Para fins de teoria poderíamos trabalhar com qualquer mola, no entanto isso dificultaria muito nossos cálculos e então vamos nos deter apenas naquelas molas que obedecem à lei de Hooke. ​​​​ Segunda esta lei a força elástica que age na partícula segue uma equação de primeiro grau dada por:

 

 

Assim,

Mas em ​​ a força também é zero, então,

Ou seja, a energia potencial elástica de uma partícula pode ser calculada através da seguinte equação:

Como podemos observar, do lado direito da equação acima temos uma quantidade de energia que depende da constante de uma mola da posição da partícula em relação a sua elongação. ​​​​ A esta quantidade atribuímos o nome de Energia Potencial Elástica, ou seja,​​ 

Também podemos dizer que:

Ou então de uma forma mais geral que:

A soma entre as energias cinética e potencial de uma partícula é conhecida na literatura como sendo a energia mecânica que a partícula possui, ou seja,

A energia mecânica de um sistema pode ou não se conservar de acordo com as forças que estão agindo sobre ele, ou seja, se as forças forem todas conservativas a energia mecânica de um sistema se conserva.

O presente trabalho não tem como objetivo ensinar os conceitos acima apresentados para as crianças da Pré-escola, mas sim testar de forma lúdica se eles conseguem compreender algumas questões que são pré-requisitos para tal compreensão.

​​ 

3.METODOLOGIA

O presente trabalho foi realizado com base numa pesquisa quali-quantitativa, uma vez que, tem como propósito investigar se é possível que as crianças da Pré-escola​​ entendam​​ ou não um conceito físico através do uso de atividades recreativas, e o uso de um questionário de múltipla escolha, onde essas crianças tiveram como objetivo relacionar algumas imagens de outras crianças realizando atividades também lúdicas ao tema Conservação de Energia Mecânica. ​​​​ 

Todos os sujeitos envolvidos são alunos da mesma turma de uma escola de Educação Infantil do município de Pelotas e têm idades entre 5 e 6​​ anos. Devido à faixa etária dos indivíduos pesquisados, pensou-se em uma atividade lúdica envolvendo sua rotina diária, ou seja, usando materiais que elas já conheçam, tanto durante os experimentos, quanto no instrumento de coleta de dados.​​ 

O desenvolvimento da pesquisa se deu em seis fases. Primeiramente foi realizado um estudo para delimitar o conteúdo da física a ser abordado. Após este estudo foram elaboradas atividades recreativas que possibilitassem uma abordagem lúdica do conceito físico proposto. A segunda fase teve como objetivo construir os experimentos envolvendo o conceito físico escolhido na primeira fase. A terceira fase foi desenvolver o Instrumento de Coleta de Dados. A quarta fase realizar a atividade com os alunos. A quinta fase foi aplicar o instrumento de coleta de dados e a última fase foi avaliar através de observações e questionamentos o processo de aprendizagem.

 

3.1A CONSTRUÇÃO DOS EXPERIMENTOS

Para a aplicação deste trabalho foram construídos dois experimentos relacionados ao conceito de Conservação de Energia Mecânica. Os experimentos foram elaborados pela orientanda e desenvolvidos por ela com a ajuda do orientador, tendo como base seus conhecimentos sobre o tema em questão, suas ideias de como abordá-lo de maneira lúdica e a experiência de Carvalho 1998 descrita em seu livro intitulado Ciências no Ensino Fundamental: o conhecimento físico, onde a autora realiza uma experiência semelhante com uma turma do terceiro ano do Ensino Fundamental.

A autora ainda afirma que “o ideal neste tipo de pesquisa é o pesquisador não revelar aos alunos o real propósito dos experimentos, mas sim deixá-los manipular os mesmos e discutir entre eles o que fazer para achar uma solução”.

Em relação a isso Piaget (1975, p.54) diz:

[...] os professores podem guiá-las proporcionando-lhes os materiais apropriados mais o essencial é que, para que uma criança entenda, deve construir ela mesma, deve reinventar. Cada vez que ensinamos algo a uma criança estamos impedindo que ela descubra por si mesma. Por outro lado, aquilo que permitimos que descobrisse por si mesma, permanecerá com ela.

 

 

Figura 1- Conservação da Energia Mecânica: transformação da Energia Potencial Gravitacional em Energia Cinética (Fonte: autora)

 

Tendo em base que o trabalho foi desenvolvido com crianças, os experimentos foram desenvolvidos a partir de materiais e imagens que elas já conhecem, como poderá ser constatado nas Figuras 1, 2 e 3.

O experimento 1, apresentado na Figura 1, consiste numa rampa confeccionada com cano de pvc de 40 mm de diâmetro com 3 orifícios na parte superior que servem para colocar as bolinhas de gude que estão dispostas dentro de um recipiente de cor amarela ao lado do experimento, conforme a imagem abaixo. Tais bolinhas serão usadas para inserir nos orifícios do experimento, com a finalidade de observar seu deslocamento e relacionar esse deslocamento com o tema do trabalho.

O objetivo desse experimento é confirmar, com a participação dos alunos, a afirmação de Carvalho (1998, p.163), onde a autora afirma que:

[...] a distância que a bolinha vai alcançar depende da velocidade com a qual a bolinha sairá do caminho percorrido dentro da rampa, mas essa velocidade está diretamente relacionada com a altura em que a bolinha for solta no trilho, ou seja, quanto mais alta for solta, maior será a velocidade alcançada e conseqüentemente maior também será à distância em que poderá chegar devido ao aumento de sua energia cinética.

Os materiais usados para sua confecção foram cano de PVC de 40 mm igual aos canos usados para fazer os esgotos durante as construções das casas, duas conexões com ângulo de 45º graus, uma conexão com ângulo de 90º, ambas conhecidas pelo nome coloquial de joelhos e uma conexão denominada T. Todas as conexões também são de 40 mm de diâmetro assim como o cano.

Para fazer os cortes foi usada uma ferramenta chamada esmirilhadeira, uma vez que tal ferramenta possibilita um corte mais rápido e preciso. Para fazer os orifícios foi usada outra ferramenta chamada furadeira com uma ponta acoplada no lugar da broca normalmente usada nas furadeiras, tal ferramenta denomina-se serra copo. As serras copo possuem vários diâmetros, para fazer os orifícios deste experimento foi usada a de 30 mm.

Antes da montagem, o cano original comprado media 6 m, mas este foi cortado em seis partes de tamanhos distintos de acordo com a necessidade e sobrou uma parte. As partes do experimento têm as seguintes dimensões: as duas partes iguais da base têm 17 cm cada uma, a parte que sai do centro da base para cima mede 19 cm, a parte horizontal que esta acoplada na horizontal entre as duas conexões antes da rampa mede 10 cm, a rampa onde estão os três orifícios de lançamento das bolinhas mede 30 cm e parte da frente do experimento por onde as bolinhas irão rolar mede 79 cm. ​​​​ 

Esse experimento demonstra a transformação da Energia Potencial Gravitacional em Energia Cinética. Os orifícios de lançamento garantem que as bolinhas sempre serão largadas com a mesma velocidade, ou seja, com velocidade inicial igual a zero.

O experimento 2, apresentado na Figura 2, consiste em outro tipo de rampa confeccionada com cano de pvc de 20 mm de diâmetro, e para manipular este experimento foram usadas esferas metálicas, dispostas dentro de um recipiente de cor verde posicionado ao lado do experimento.

 

 

Figura 2 - Conservação da Energia Mecânica: transformação de Energia Potencial ​​ ​​ ​​ ​​ ​​​​ Elástica em Energia Cinética (Fonte: autora).

 

O objetivo desse experimento é confirmar, com a ajuda dos alunos, se a afirmação de Carvalho, 1998, de que a distância que a esfera irá alcançar depende da velocidade com a qual a mesma sairá do caminho percorrido dentro da rampa, sendo que essa velocidade está diretamente relacionada com a tensão aplicada na mola para impulsionar a esfera solta no trilho, ou seja, quanto maior for a tensão aplicada na mola, maior será a velocidade alcançada e conseqüentemente maior também será à distância em que a esfera poderá chegar.

Os materiais usados para sua confecção foram cano de PVC de 20 mm igual aos canos usados para fazer as ligações de água durante as construções das casas. Também foram usadas quatro conexões denominadas T, e uma tampa, ambas com 20 mm de diâmetro assim como o cano.

Os​​ cortes foram feitos com uma ferramenta chamada esmerilhadeira, assim como no experimento 1. Os quatro orifícios da parte superior de experimento que são idênticos, bem como o orifício da tampa traseira, que não aparece na imagem acima foram feitos com furadeira, mas desta vez foi usada uma broca para parede, usada nas furadeiras, de 10 mm de diâmetro. Somente o orifício que está posicionado distante de 23 cm da ponta traseira do experimento, que é diferente dos demais, foi feito de maneira artesanal, unindo dois furos feitos com a furadeira, que foram feitos um bem ao lado do outro e ajustados com o auxílio de uma lixa de cano para dar o formato irregular diferente dos demais. Vale ressaltar que é somente neste orifício que as esferas cabem os demais é somente para observação do deslocamento da esfera.

Assim como o cano original comprado para o experimento 1, este também media 6m, e foi cortado em sete partes de tamanhos distintos de acordo com a necessidade, sobrando uma parte. As partes do experimento têm​​ as seguintes dimensões: as quatro partes iguais da base têm 13 cm cada uma, a parte que sai do centro da base traseira para cima mede 10 cm, a parte que sai do centro da base dianteira para cima mede 15 cm, a parte horizontal mede 1,30 m e a mola interna​​ que não aparece na imagem mede 10 cm de comprimento por 20 mm de diâmetro.

Esse experimento demonstra a transformação da Energia Potencial Elástica em Energia Cinética. No interior da parte traseira do experimento foi montada uma mola que está presa a uma​​ cordinha. Para que a mola não saia de dentro do experimento ao ser manipulado, foi acoplada na parte traseira do experimento uma tampa com um orifício no centro pelo qual passa a cordinha que está presa na mola.​​ 

A cordinha serve para puxar a mola. Para manipular o experimento é necessário introduzir a esfera no orifício maior da parte horizontal superior, e quando isso for feito a esfera não sairá na ponta do experimento de maneira espontânea. Ela irá se deslocar para a parte traseira de experimento, que como podemos constatar ao observar, é mais baixo na parte de trás, e conseqüentemente a esfera ficará encostada na mola. Logo, para que o deslocamento da esfera ocorra dentro de experimento a fim de sair na ponta é necessário que se aplique certa tensão na​​ mola, comprimindo a mesma e depois soltando.​​ 

Após a construção dos experimentos, foi elaborado o instrumento de coleta de dados conforme imagem da figura 3 abaixo. O instrumento foi elaborado com base nos estudos de Carvalho (1998, pg. 171), onde a autora defende que “o ideal nesse tipo de abordagem é tentar verificar se os alunos conseguem relacionar o conceito abordado nos experimentos com algumas brincadeiras dos seus cotidianos”.

Tal instrumento consiste em um questionário impresso com seis (6) imagens de crianças brincando e uma pergunta inicial. Os alunos devem relacionar, dentre as figuras, quais estão associadas com o conceito trabalhado.